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As melhores lembranças

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(Foto do meu cantinho preferido na América de Baixo - Morretes - Paraná) . Os dias estão lindos e a lembrança da minha avó dizendo que estava virando sapo com tanta chuva é cada vez mais distante. Acho mesmo que tenho as melhores lembranças do mundo, e que elas me salvam todos os dias. De repente, me vi atravessando o rio Marumbi, depois de brigar com meu pai, equilibrando um prato, para almoçar tranquila, sentada numa pedra enorme, mesmo com a garoa.  Teimosia pura!  Claro que a pedra não era tão grande assim, mas lembro que às vezes, sonhava que os conguitos pulavam no prato ou carregavam a pedra rio acima.  Poesia e comédia se misturavam, quando nos primeiros fins de semana, tinhamos que usar o rio como geladeira, e perdíamos melões e melancias para a correnteza.  Quantas memórias como essa formam um crônica?  Comida, crianças e adultos tentando descansar caçando mais  trabalho.  Quantas viagens são lembradas pelos perrengues que f...

Bússola do infinito

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O tempo que confere voz e ritmo à natureza, silenciou a paisagem urbana. “Ouvir o ruído das pinceladas nas paredes envelhecidas” - talvez nossos sentidos só consigam perceber o passar do tempo através das camadas de tinta – a jornada do olhar, a arte percorrendo passado/criação, presente/percepção e futuro/imaginação. Olhar, fotografar, editar, criar, expor. O processo percorre o tempo. O olhar que atravessa a lente, frágil sentido humano, deseja enxergar através das paredes, mas não o faz, adota um critério oposto ao usual: em vez de conceber a arte com elementos da realidade em termos de imaginação, revive a realidade como se fosse arte. O processo percorre o tempo. O tempo como contexto da constância, os blocos de concreto, a imobilidade ao ver o tempo passar, a intransponibilidade das portas e janelas que detém o controle entre o transparente e as várias camadas de imaginação. Um novo olhar e o processo percorre o tempo. Atravessar o pensamento, sem mecanismos, sem prev...

De onde é quase horizonte, tal qual o poema.

De onde é quase o horizonte  Sobe uma névoa ligeira  E afaga o pequeno monte  Que pára na dianteira.  E com braços de farrapo  Quase invisíveis e frios,  Faz cair seu ser de trapo  Sobre os contornos macios.  Um pouco de alto medito  A névoa só com a ver.  A vida? Não acredito.  A crença? Não sei viver.  Fernando Pessoa, in "Cancioneiro" Antes de viver, o silêncio. Depois do que se viveu, o silêncio Olhar, falar (em silêncio), contemplar o horizonte Buscar, acessar a memória, limites do ser Horizontar, ocupar horizontes de cor, pictorizar   Em seu processo de criação o artista transfere desejos, dúvidas e revoltas para a observação silenciosa, do aparentemente concreto, o horizonte.     Na possibilidade de enquanto terra ou mar tocarmos o céu, alcançamos o interior do desejo humano, que busca, procura, vasculha e sempre tem mais o que buscar, procurar e vasculhar. Somos montes de silêncios, ...