De onde é quase horizonte, tal qual o poema.
De onde é quase o horizonte Sobe uma névoa ligeira E afaga o pequeno monte Que pára na dianteira. E com braços de farrapo Quase invisíveis e frios, Faz cair seu ser de trapo Sobre os contornos macios. Um pouco de alto medito A névoa só com a ver. A vida? Não acredito. A crença? Não sei viver. Fernando Pessoa, in "Cancioneiro" Antes de viver, o silêncio. Depois do que se viveu, o silêncio Olhar, falar (em silêncio), contemplar o horizonte Buscar, acessar a memória, limites do ser Horizontar, ocupar horizontes de cor, pictorizar Em seu processo de criação o artista transfere desejos, dúvidas e revoltas para a observação silenciosa, do aparentemente concreto, o horizonte. Na possibilidade de enquanto terra ou mar tocarmos o céu, alcançamos o interior do desejo humano, que busca, procura, vasculha e sempre tem mais o que buscar, procurar e vasculhar. Somos montes de silêncios, ...