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Mostrando postagens de janeiro, 2025

De onde é quase horizonte, tal qual o poema.

De onde é quase o horizonte  Sobe uma névoa ligeira  E afaga o pequeno monte  Que pára na dianteira.  E com braços de farrapo  Quase invisíveis e frios,  Faz cair seu ser de trapo  Sobre os contornos macios.  Um pouco de alto medito  A névoa só com a ver.  A vida? Não acredito.  A crença? Não sei viver.  Fernando Pessoa, in "Cancioneiro" Antes de viver, o silêncio. Depois do que se viveu, o silêncio Olhar, falar (em silêncio), contemplar o horizonte Buscar, acessar a memória, limites do ser Horizontar, ocupar horizontes de cor, pictorizar   Em seu processo de criação o artista transfere desejos, dúvidas e revoltas para a observação silenciosa, do aparentemente concreto, o horizonte.     Na possibilidade de enquanto terra ou mar tocarmos o céu, alcançamos o interior do desejo humano, que busca, procura, vasculha e sempre tem mais o que buscar, procurar e vasculhar. Somos montes de silêncios, ...