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Qualquer coisa que se pareça com uma xícara de café fumegante, tem um lugar garantido no meu coração. Que aqueça de um jeito que também refresca (quem mora ou já morou em Antonina, sabe do que estou falando), que desperte meus sentidos e seja companhia, também pras conversas comigo mesma.
Aliás, essa é uma das maiores qualidades de um xícara de café: conversar comigo e ao mesmo tempo manter um silêncio amigável, me permitindo ouvir as camadas mais profundas do pensamento. Quem escreve sabe do que estou falando.
Talvez o que eu tenha de mais próximo a isso seja minha escrita.
(Picasso, mulher escrevendo, 1934)Tomo cenas da cidade.
Todas as manhãs o catador passa por aqui, esperando que caixas de papelão revelem surpresas. Outro dia alguém o chamou no alambrado, ofereceu-lhe uma cesta de natal. Há anos não via uma dessas. Em Antonina, não se vendiam essas cestas e eu nunca vinha à capital para as populares compras de natal. Agora estou aqui.
Antes das 9h, na maioria dos dias, todas as janelas do meu condomínio já estão abertas. Então penso em como todos ouvimos ao mesmo tempo os barulhos da cidade, e me pergunto: será que todos ouvem música também?
Rolar o feed e me deparar com um meme da Dona Hermínia, personagem do saudoso Paulo Gustavo. Como será que minha mãe fazia?
Mãe, como você está? Eu cresci e já não passo os dias a te chamar. Às vezes nem conversamos, e quando fazemos, parece que usamos um tom mais formal. Será que vestimos muitas camadas de vida e julgamentos, que ficou difícil chegar ao coração? Ontem fiz uma brincadeira com você nas redes sociais. Eu tinha acabado de passar pelo espelho, fiz uma piada boba com o J. e ele disse que eu parecia você! Claro, pensei, como poderia ser diferente, se é assim que quero ser! Então, num milésimo de segundo entendi, que somos mestras em teimosia e persistência. Ainda bem né, mãe?!
Sorrio, parada à janela e alguém que passa sorri de volta. Foi isso que me fez sentar à frente do notebook e escrever. De repente o mundo parou na reciprocidade, e eu quis dividir isso com vocês. Eu sorrindo, imaginando minha mãe me chamar de teimosa, e alguém sorrindo de volta. Já pensou se a moda pega? Não a minha mãe me chamando de teimosa, mas essa de devolver os sorrisos.
Eu quase nunca sei o que emojis querem dizer e uso cada vez mais emojis quando não sei o que dizer. Uma das coisas mais uteis e perfeitas que inventamos. Uma vez propus ao meu namorado, passarmos uma semana sem usar emojis, e juro, quando o primeiro coração passou desapercebido, escrevi 10 poemas numa tacada só! Caprichem nos emojis, de vez em quando mandem fotos da natureza também.
Só eu escrevo verde, na folha do ipê-amarelo?
Para terminar, uma provocação sobre biografias: Será que são escritas e lidas para conhecer ou imaginar?
Lindo, k! Bela estreia do blog de crônicas!
ResponderExcluirAdoro suas filosofias poéticas <3 =)
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